Filme A Grande Aposta – The Big Short – USA – 2015

Resenha do filme A Grande Aposta elaborada pelo terapeuta Vagner Moreira com o viés da Espiritualidade e Autoconhecimento:

Assisti este filme ótimo sobre a crise mundial de 2008. Para quem ainda não entende o que foi o “apocalipse financeiro” que quebrou países na Europa e fechou os grandes bancos americanos e europeus, além de provocar mais de 10 mil suicídios entre 2008 e 2011, este filme é uma aula de economia, bolsa de valores, mercado imobiliário e finanças.

Diferente do filme “Quicksilver”, com o grande ator Kevin Bacon, que não mostra detalhes das operações, foca mais na mudança do protagonista e suas escolhas em trocar a vida de corretor para focar em outras coisas da vida ou o filme “O Lobo de Wall Street”, que foca mais nas diversões e comportamentos dos corretores, e mostrar a ascensão e queda do protagonista, “A Grande Aposta” entra em termos técnicos, lhe ensina detalhes que a grande maioria dormiria no cinema, não fosse a forma brilhante que o roteirista e o diretor tivesse em lhe colocar dentro deste ambiente econômico. Claro, o filme é baseado em um livro, que teve o mesmo sucesso de propósito, em aprofundar o leitor no ambiente técnico do mercado financeiro. A soma da escrita do livro, da adaptação do roteirista, da forma de contar a história do diretor e com uma equipe de grande atores, como Brad Pitt, Christian Bale, Steve Carrel e Ryan Gosling, tornam o filme acessível para os interessados em entender o que de fato gerou a crise de 2008 em detalhes, saindo da explicação básica que tem na internet.

Imagem: Reprodução

O filme tem vários aspectos que ilustram o prazer e a dor de ser um corretor de valores. Como do personagem Mark Baum que de tão obcecado pelo seu trabalho não percebeu a crise emocional que seu irmão passava antes de se suicidar e depois se culpa pelo ocorrido, por ter lhe oferecido ajuda querendo emprestar dinheiro, mas não ter dado a atenção que o irmão precisava. Assim como as reações de todas as pessoas ao redor quando o personagem protagonista, Michael Burry resolver arriscar investindo na quebra do mercado imobiliário, que era algo impossível para todos na época que ele descobriu, anos antes, que a crise iria acontecer. Condição que todo visionário passa, de ser ridicularizado e sofrer emocionalmente com as reações dos outros quando descobre algo inovador e todos por estarem presos ao paradigma atual consideram que o mesmo ou está ficando doido, ou é um idiota total, que perdeu a noção de realidade ou está ingênuo quanto aos fatos.

Mais que demonstrar as questões morais deste mercado, nos faz refletir sobre como é o nosso paradigma econômico atual. Qual a responsabilidade multidimensional dos operadores financeiros frente às consequências que eles nem de longe imaginam que causaram. Quem assina embaixo espiritualmente pelos 10 mil suicídios? Ou pelos milhões de pessoas que perderam suas casas? Ou seus empregos? Ou os países que quebraram, devido aos bancos, e não puderam ter dinheiro para a sua população, não tendo como cumprir com as obrigações constitucionais de saúde, segurança, educação e previdência.

O mercado de valores brasileiro, por incrível que pareça, em 2008 não foi vítima direta da crise porque tínhamos mais regulações. A crise inflacionária dos anos 1980 à 2000 tornou o mercado brasileiro mais regulado, com mais leis e formas de fiscalização que o americano. Pois os economistas e as equipes que criaram os planos econômicos, Plano Cruzado, Plano Cruzado II, Plano Bresser, Plano Collor e Plano Real, e todos economistas e políticos destas duas décadas eram praticamente os mesmos. Por isso que acertaram no Plano Real. O Brasil não carece de leis e fiscalizações, mas sim de fazer cumprir as mesmas e punir de verdade do criminosos corruptos, ao invés de manter a impunidade.

Imagem: Reprodução

Os islâmicos tem uma forma diferente de lidar com o lucro em sua sociedade. Tanto que as bolsas de valores da Arábia Saudita, Irã e os bancos operam com outro paradigma.

Vivemos em uma sociedade que tudo é permitido em prol da riqueza e do crescimento econômico a qualquer custo. Tanto que hoje a área comercial é vista como demoníaca por muitas pessoas e muitos detestam falar de lucro, dinheiro e vendas. Mas será que o problema está na área comercial e no dinheiro?

Ou o problema está no paradigma belicista que rege atualmente estas áreas?

Como atuante na área comercial, este autor que lhes escreve opina que o problema não está do dinheiro e na área comercial, mas no paradigma comercial atual que é belicista e egoísta, que gira em torno do ganha-perde, sendo que o paradigma comercial que está se desenvolvendo para substituir este é do ganha-ganha.

O dinheiro é energia! O dinheiro auxilia na evolução espiritual! Sem dinheiro, não há melhores condições de promover a evolução das consciências. A questão é como este dinheiro é gerado e que consequências tem para os envolvidos, para esta e para as próximas vidas!

Um ótimo filme e temas para refletirmos e produzirmos pensamentos e ideias, dinheiro, comércio, economia e o reflexo na vida das pessoas, intrafisicamente e extrafisicamente, para esta e para as vidas futuras!



Vagner Moreira
é terapeuta de Reiki e terapias quânticas. Palestrante sobre Conscienciologia e Física Quântica aplicada na saúde. Veja sua disponibilidade aqui.